9 de mar de 2012

Tintin no Oscar

Já fazem quase duas semanas que foi realizada a entrega das estatuetas do Oscar, infelizmente só agora consegui tempo para escrever um pouco o que me veio à cabeça quando vi as indicações e, posteriormente, a entrega dos prêmios.

Há certo desapontamento na desclassificação de Tintin ao Oscar, pois o filme foi muito bem produzido, contando com um roteiro excelente, trilha sonora de John Williams como sempre muito boa (isto sim, foi indicado ao Oscar), fora a adaptação de um design de quadrinhos – leia-se bidimensional – para a animação 3D que foi um grande desafio e saiu-se muito bem. Porém a Academia criou, em 2010, uma regra que explicita que os longa-metragens de animação em motion capture não podem concorrer ao Oscar nessa categoria, isso porque acreditam que há aí uma “quebra” do conceito de animação sendo a manipulação, quadro a quadro, de uma imagem pelo animador.

Fosse somente por isso, até se compreenderia a questão, mas o problema esta na resolução da Academia de permitir a competição do longa-metragem Chico e Rita (que é também uma animação excelente), que usou a técnica de rotoscopia para produzir as movimentações dos personagens.

Basicamente, as duas técnicas – motion capture e rotoscopia – possuem o mesmo problema, de não permitir a manipulação dos personagens pelo animador, claramente pode-se criar um paralelo tridimensional da rotoscopia no motion capture. Mas por que então proibir Tintin e não Chico e Rita? Acho que somente se basear na regra que explicita o motion capture como proibitivo à competição não é suficiente, há de se argumentar o por que dessa proibição, feito isso com certeza chega-se à questão em comum (utilização de atores ao invés de animadores) que deveria aplicar a mesma sanção ao longa espanhol.

Interessante também notar que foi dado Oscar em 2010 ao Dr. Mark Sagar: "Dr. Sagar’s work led to a method for transforming facial motion capture data into an expression-based, editable character animation system that has been used in motion pictures with a high volume of digital characters."

Por fim, duas entrevistas/making-of dos longas: